Wednesday, April 30, 2008

terceiro e ultimo.


"Pior que Coachella Sunday so Blue Monday". Uma palavra pra minha rima? Cheesy.
Em tres dias eu ja pensei e repensei no que escrever sobre o ultimo dia de festival. Ate tinha desistido de postar alguma coisa, porque a cobertura da Fe ta legal, informativa. Mas tem umas coisinhas que nao vao me deixar em paz se eu nao botar no "papel", porque volta e meia to pensando nelas de novo. Vamos aos pontos.


Holy Fuck - shows vistos de longe tambem podem ser legais

* O show do Holy Fuck nao mudou muito de 2006 pra ca, quando eu vi a banda abrir pro Wolf Parade em Providence. O que foi bom. Mesmo debaixo do sol das 2 da tarde e decidida a nao gastar minhas energias logo cedo no dia em que Justice so entrava as 11, acabei dancando. A tenda Mojave tava lotada. Pra mim, as caracteristicas mais fortes do Holy Fuck sao que 1) eles tocam um olhando pra cara do outro, formando um quadrado no palco, super concentrados e 2) se voce fechar os olhos acaba achando que o som e todo digital quando, na verdade, todos os instrumentos estao ali, sendo usados quase ao mesmo tempo. Demais.


Autolux


* Assisti a duas bandas que nao conhecia. Manchester Orchestra, no calor, delirando de insolacao. E Autolux, seguindo os passos dos meninos. Nenhuma das duas faz o meu estilo, como diriam eles, mas ainda me surpreenderam. Adoro escutar coisa nova, e no mood introspectivo que o dia de despedida do Coachella me colocou, nao teve coisa melhor. Autolux, especialmente, me mostrou que o rock progressivo versao moderninha pode ser legal. As letras que variam do triste pro romantico e as guitarra trippy tambem. Eh uma das bandas que eu vou escutar daqui pra frente e vai me lembrar daquele dia, porque antes dele, era inedita pra mim. No fim das contas foi bom quebrar a sequencia indie-pop-rock-hype por 50 minutos.


*O Sean Penn e a minha desilusao inocente. Apesar de morar aqui ha algum tempinho, ainda nao me acostumei totalmente com o american way of thinking. Por isso, quando o cara subiu no maior palco do festival e comecou a falar sobre politica dando uma dicazinha de leve sobre em quem "a gente" deveria votar, ele me decepcionou. Agora, olhando pra tras, eu entendo que a minha expectativa dele falar sobre o meio-ambiente, sobre a guerra, sobre a writer's strike ou sobre a morte da bezerra nao era realista. No pais em que eu ainda estou tentando entender e aprender sobre, as pessoas ainda tem um pinguinho de esperanca no futuro, como ele mesmo disse. Quando eu vi o video de novo, lembrei do porque do minha frustracao - mas pensando de uma forma diferente, eu gostei do que foi dito. E o povo tambem adorou ser chamado de "better, smarter, more technological and funnier generation", claro.

(vai ver o video que a Fe fez, la embaixo)






Reverb-festival com o MMJ

*Less is more. Nao vou gastar nem mais uma linhazinha descrevendo o show do My Morning Jacket. O por-do-sol do ultimo dia falou por si. Top 5 melhores shows do final-de-semana, com certeza. O Pitchfork acha a mesma coisa.




*Roger Waters. Que complicado explicar esse caso. Eu, como voces - provavelmente, vi o show no Brasil ha um tempinho atras. E aquele foi bem bacana, viagenzinha Pink Floyd na medida, show visual, hinos lendarios cantados pela multidao, etc. O do Coachella comecou no mesmo ritmo, emocionou com os mesmos hinos, tava bonito. Ai eu reparei que tinha passado um tempinho e ele tava mais velho, mais performatico e mais exagerado. Eu e as meninas comecamos a comentar a V.A. que tava rolando e dai pra frente so piorou. Mas foi engracado. Se eu me frustrei com o Sean Penn falando de politica, imagina quando o porco apareceu no ceu com "Obama" tatuado na barriga. E quando as tochas de 50 metros de altura explodiram. E no fim, quando "The Wall" foi a musica de volume mais alto do show todo - de acordo com a minha teoria, pra segurar o povo que comecava a correr pra pegar o comeco de Justice.

Enfim, ta? Ele e quem ele e, sem duvida. E artistas tendem a exagerar na dose com o passar do tempo. Mas que ele me deixou de mau humorzinho, deixou. Nao consegui fingir que achei normal. E eu nunca disse que nao era chata.




D.A.N.C.E. baladinha - no escuro.

*Justice, Justice, Justice, Justice!!
O show do Roger Waters ainda nao tinha acabado. Todos os outros, em todas as tendas, sim. E que triste que e ver aquele lugar esvaziando. Mas eu disse "esvaziando" e nao vazio, longe disso. A sensacao que deu - e me da um arrepio de lembrar - e de que as pessoas nao queriam que o festival acabasse quando corriam de-ses-pe-ra-das pra tenda onde o Justice ia tocar logo mais. Eu nao saberia dizer se as pessoas estavam AINDA ali porque e dificil se despedir do Coachella ou porque eram fas de Justice e estavam contando os minutos pra olhar pra cruz gigante no escuro. Seja qual for o motivo, as turmas se reuniram rapido.


A multidao fez a tenda ficar minuscula, fiquei meio de fora pra conseguir respirar. Abrindo o show com uma atmosfera Darth Vader, os caras se mostraram experts em tortura. Logo de cara (ao contrario de todos os shows onde o hit vinha por ultimo), eles tocaram DANCE. Mas so o sampler de voz e teclado, que arrepiou, DANCE lentinha. E assim foi a noite toda. Um pedaco aqui, outro ali. Outra hora de matar foi com "We Are Your Friends", do remix com o Simian.O pessoal a minha volta se esgoelava, e eu gosto de acreditar na minha teoria de que as pessoas estavam cantando umas pras outras. Chame de brega, cheesy, mas no Coachella, "You'll Never Be Alone Again".

3 comments:

fernanda said...

lindo. Destruiu Thatá.

Ney Faustini said...

aee, conectados por mais um meio! saudades tha, já to linkando vc por lá também! coloquei até um set do aphex twin no coachella, q acho q não é muito sua praia... hehe
bjão

Bean said...

imagina se vc não tivesse colocado tudo isso? ficou muito legal e eu adoro saber a opinião das duas!
eu acho que me decepcionei mais com a calça santro-peito do Sean Penn que com o discurso Obama! haha