Thursday, August 31, 2006

Meus Heróis e meu trabalho

O que acontece quando o seu herói fica do tamanho de um jeans? Ou de um iPod? Eu havia me poupado de escrever sobre o filme da Levis baseado na Walk the Line, música que o Johnny Cash escreveu para a June Carter. Talvez pelo cara ser um dos meus grandes ídolos, pela verdade que a voz dele carrega em cada música, por eu admirar a história de vida dele e dessa música. E por eu achar que por tudo isso sua música devia ser usada num momento ou numa obra de características semelhantes. E uma Levis não é tudo isso, nem a historinha do comercial deles. E agora o Bob Dylan. Um cara que é tão maior que o iPod, que as marcas modernas, um cara que mudou a vida de tanta gente (em uma proporção mais profunda que o iPod caso vc esteja fazendo a comparação). Eu sei que ele quer vender o som novo dele, mas parece que ele resolveu se jogar do altarzinho que ele estava na vida de cada um de nós. Talvez até tudo bem se os comerciais ficassem maravilhosos, emocionantes, fossem tão bons que fizessem jus as músicas ou aos artistas. Ou, acho também que tudo bem se os comerciais não tivessem pretensão, ou usassem as referências desses artistas de um jeito criativo (como o da Pepsi que brinca com o Hendrix). ...mas nem é assim. Tanto Levis como iPod ficaram bonitinhos, muderrrnos, pretensiosos, com cara de Levis e iPod mesmo. Não sei direito o que estou querendo dizer. Eu achei que já tinha superado minha fase de questionamentos AdBusters e No Logo. Eu sei que eu sou publicitária, que eu gero essa máquina, que eu faria tudo pra ter esses caras trabalhando para meus clientes, que Madonna, Oásis e U2 fazem propaganda, blábláblá. Mas ver os caras que não são da geração propaganda entrando nela, desse jeito gratuito, sentado no banquinho como o Dylan, só pra estar lá, me deixa meio mal. O que me consola é o Jim Morrison e o Hendrix morreram. E que tenho certeza que a Levis só conseguiu usar Walk the Line porque o Cash também não estava mais aqui.
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3 comments:

Sil Curiati said...

Sabe, Fe, já me peguei pensando neste tipo de coisa várias vezes. Mas acabei me rendendo. No fim das contas, é legal a "descida do pedestal", a aproximação com o nosso dia-a-dia, a "redução" de um mito a um jeans que você possa usar até rasgar. Tem uma pinta de "volta às raízes". Estes caras só são bons como são porque cantam o íntimo da gente, né? Traduzem e musicam as coisas que estão emboladas aqui dentro.
A união disto com uma marca que uso chega a emocionar, e isso pode até ser patético... Aprendi a curtir.
bêjo e saudades!

fernanda said...

Putz Sil, se bobear é melhor eu continuar revoltada pq se eu me deixar levar por essa conexão emcional imagina o tanto de Levis e iPod que eu ía comprar, hehe. Bjos.

Daniel Lissoni said...

Fer, faz tempo que a gente não se fala. Tudo bem com você?

Eu concordo totalmente com você. Se é para usar o artista "mito" que faça muito bem feito como a Telecon New Zeland fez com a música do Cat Stevens. Pra fazer isso que a levis fez e que a Apple fez piorado é melhor não fazer nada.

Bjo

Daniel Fnazca