Friday, August 08, 2008

"what a life I lead in the summer.."

Enquanto o mundo assiste a abertura das Olimpiadas eu aproveito pra atualizar este blog com assuntos de 2, 3 semanas atras, tentando assim nao me sentir culpada por ficar tanto tempo sem escrever. As Olimpiadas eu alcanco depois.

Nao e anormal que eu passe um tempao sem inspiracao quando essa epoca do ano chega aqui no hemisferio norte. Alem da lista sem fim de coisas pra fazer (sao, afinal, os unicos 3 meses do ano em que voce pode andar de regata e chinelo) e inevitavel que aquela preguica de calor bata e ai ninguem me acha mesmo.

Curiosamente, foi bem nesse periodo em que eu resolvi tomar uma decisao daquelas de mudar o rumo. Pedi demissao do meu emprego de 2 anos e resolvi, positivamente, a apostar nesse mesmo positivismo de que dias melhores (e mais legais, com mais festas e gente interessante) virao. Aguardem cenas do proximo capitulo.

Vamos ao que interessa. Em meio a idas a praia, churrascos e picadas de pernilongo gringo (as quais descobri que sou bizarramente alergica), ate agora meu verao teve dois pontos altos. O primeiro foi ter visto a minha descoberta favorita do ano ao vivo em Cambridge (sorry, MGMT, I will always love you). Os Fleet Foxes sao muy muy fueda.

Eu ja falei de Fleet Foxes aqui e em Twitter e tal, entao poupo apresentacoes. Mas o show, esse sim, e digno de post novo. Pra comeco de conversa, eles tocaram num lugar minusculo em Central Square, o
Middle East Upstairs. E sorte de ver banda que voce sabe que vai virar sensacao em lugar pequeno assim nao bate a sua porta todo dia. Bateu a minha quando eu vi Bat For Lashes no Great Scott, por exemplo. E raro. A banda de 5 caras tocou num palquinho micro, com uma multidao na plateia. O show sold-out meses antes e dava pra ver que quem tava la se preparou pra pegar um lugarzinho bem na frente, tipo, ahn, eu.


Com um bando de gente se segurando pra nao tropecar e cair no pe do vocalista, eles abriram a noite com 'Sun Giant' sem instrumentos, so harmonia. Todos os membros da banda cantam, e bem. Tem gente que adora quando vai a show e o artista muda a melodia, faz maluquice com a guitarra e transforma o seu hit favorito numa versao psicodelica do que voce ouviu no CD. Essa nao sou eu. Sem retoque nenhum, eles reproduziram o EP e o album inteirinho ali na nossa frente, entre piadinhas e gracinhas e foi assim que eles fizeram Boston bater palma ate doer. O que me deixou emocionada (ai) foi ver que a reacao das pessoas REALMENTE surpreendeu a banda. Assim, como se os Fleet Sub Pop Foxes nao soubessem que sao bons ou coisa do tipo. O Brian Pecknold agradecia, e sorria envergonhado, e agradecia de novo. Me deu vontade de abracar e dizer pra ele que a gente gostava mesmo de ouvir ele cantar, que ninguem tava fingindo ou sendo bacana (Boston nunca e bacana, ok?).

Pro bis, o Brian voltou sozinho pra cantar 'Tiger Mountain Peasant Song' so com o violao acustico. E foi nessa hora, depois de duas sem nem lembrar de camera nem internet nem nada relacionado a minha vida fora do Middle East, que eu resolvi gravar um videozinho pra recordacao. Veja bem.








O outro highlight de julho foi a visitinha a NY, depois de um ano sem visitar o lugar que me da mais saudades de Sao Paulo nesse pais inteiro. Minha irma foi com a gente, primeira vez da menina na Times Square, imagina. Mas fora a rota turistica basica, tambem arrastei a Pi pra lugares pros quais com certeza ela nao volta, considerando o fato de que nem beber ela bebe, quem dira querer conhecer territorios punk dos anos 70. E foi assim que chegamos, numa quinta-feira as 11 e meia da noite, ao ja saudoso
Chelsea Hotel.



Entao, o Chelsea e aquele hotel onde o Sid e a Nancy moraram, e onde a Nancy foi achada morta debaixo da pia do banheiro. Foi la tambem que a Patti Smith morou quando quis se enturmar com os bacanas na primeira metade dos 70s. Ela dividia o quarto, porque no Chelsea glamour e exatamente o contrario do que voce ta pensando. E ali tambem viveu o William Burroughs, amiguinho mais ousado do Jack Kerouac. E foi la que o escritor Dylan Thomas tambem morreu de overdose alcoolica. Enfim. Inspiracao artistica e o que nao falta nos corredores do prediao que fica na West 23rd quase esquina com a 8th Ave.



Se eu nao tivesse me apaixonado pelo cheiro esquisito dos corredores, pela cara de velho abandonado do elevador, e pelos quadros de gosto duvidoso nas escadarias, nao teria post pra ele. Mas eu me apaixonei, e entrei na comunidade VA do Orkut
'Eu quero morar no Chelsea Hotel'. Eu assumo que fui meio que esperando um quartinho meia boca. Tudo pela historia do rock. Mas o nosso quarto - aham, suite - era lindo de morrer, modernerrimo, vista pros predinhos do bairro, ar condicionado e flat screen TV.



Voltando do Mercury Lounge na noite seguinte, ja me sentindo em casa, nao aguentei e perguntei pro cara da recepcao onde caracas eles tinham enfiado a suite 100, quarto do Sid. E foi entao que eu descobri o que meus amigos mais bobos ja sabiam. A direcao do Chelsea mudou os numeros dos quartos e deu sumico no 100 na mesma semana em que a Nancy foi morta. De acordo com o funcionario 'pra nao atrair gente que nao estivesse interessada exclusivamente nos servicos e localizacao que o hotel oferece'. Ta bom, entao.



Aqui, o video da Nico cantando 'Chelsea Girls' pro filme de mesmo titulo do Andy Warhol, gravado no Chelsea Hotel. Qualquer semelhanca com a Cat Power e mera coincidencia.

PS: O meu painel favorito das paredes do hotel virou BG no meu Twitter, go Bowie!

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